Terapia à distância de um clique

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Por vezes surge o pedido de ajuda acompanhado da inviabilidade da pessoa se deslocar às consultas por um motivo ou por outro.

Muitas vezes acontece que, apesar de indicar outro colega na área de residência da pessoa, esta insiste em se consultar comigo pelas referências que tem. E nestes casos acontece que a pessoa tem de se deslocar longas distâncias para o fazer. Tão longas quanto de Lisboa ao Porto ou ao Algarve! Pelo que, ao longo dos anos, fui respondendo à necessidade de atender alguns clientes à distância.

Embora alguns colegas ainda mantenham reservas quanto ao acompanhamento feito desta forma, na minha experiência tem se mostrado igualmente eficaz.

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Das preocupações mais comuns referentes à terapia à distância, destacam-se as seguintes:

1 – A necessidade de um espaço físico ao qual o cliente se desloca para um fim específico

Neste caso, o  espaço toma uma forma virtual, ainda assim com data e hora marcada. Não sendo esta uma necessidade a trabalhar em terapia, um pode tomar a forma do outro. O que aconselho é que escolha um local onde a chamada da sessão seja sempre estabelecida.

2 – A possível necessidade do cliente sair à rua e contactar com o mundo exterior

Sair à rua pode ser o primeiro passo necessário a dar pelo cliente para sair do estado em que se encontra. No entanto, este pode ainda não se sentir capacitado para tal e a ajuda para dar esse passo pode ser essencial.

3 – A eventualidade da ligação cair num momento emocional crítico

O perigo seria o terapeuta não poder oferecer o espaço de contenção necessário. No entanto, é algo que já acontece fora do contacto entre ambos. Ainda assim, a tecnologia tem evoluído e o software usado para estas consultas requer uma banda muito inferior àquela necessária pelos programas que costumam ser usados para video-chamada. Isto implica maior qualidade de som e imagem, assim como maior estabilidade da chamada.

4 – A segurança dos dados transmitidos durante a chamada

Neste caso, é utilizado um software que obedece às normas estabelecidas pelas entidades que regulam a prática profissional clínica (nas áreas de medicina e psicologia) e nenhum pacote de informação transmitida entre terapeuta e cliente passa (ou é guardado) pelos servidores da empresa. O mesmo já não acontece com outros programas usados para o mesmo efeito.

Assim sendo, não considero que estas questões representem qualquer bloqueio ao avanço da terapia.

Este acompanhamento pode ser feito exclusivamente online ou ser intercalado com sessões presenciais. Seja como for, na minha experiência, a terapia à distância de um clique é possível e também eficaz.

terapia à distanciaNormalmente, prefiro fazer as duas primeiras consultas, de avaliação, presencialmente porque privilegia o estabelecimento da relação terapêutica e permite recolher mais algumas informações que a visão limitada da câmara não permite. Depois desse primeiro contacto, poderemos prescindir das sessões presenciais.

Contudo, por vezes não é possível e, ainda assim, a relação funciona como pretendido.

Situações em que o acompanhamento online tem sido muito útil

São aquelas em que a pessoa:

  • Se encontra deslocada do seu país e prefira ter o acompanhamento na sua língua mãe.
  • Se ausenta temporariamente da zona e deseja continuar o acompanhamento em processo.
  • Tem dificuldade em enfrentar o mundo exterior e necessita de acompanhamento para se preparar para o fazer.

Em forma de conclusão, considero de maior importância a necessidade que o cliente sente daquele contacto, assim como a possibilidade de promover a diferença.

Para estar junto não é preciso estar perto e sim do lado de dentro. (Leonardo Da Vinci) Click To Tweet

Publicado por Sofia Morgado

Psicóloga, hipnoterapeuta, formadora e facilitadora de grupos de ajuda, assim como de workshops, trabalho com a consciência e escrevo sobre desenvolvimento pessoal e relações intra e interpessoais.

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