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Pensamentos deliberados

Todos nós gostamos de nos sentir bem, alegres e felizes, certo?

E por isso mesmo muitas vezes me dizem que eu tenho uma voz tranquila, que tenho uma presença tranquila e tranquilizadora e me perguntam como. Me dizem que não conseguem fazer, que não são assim.

Mas na verdade deixe-me que lhe diga que todos nós somos assim, também. Que todos nós temos potencial para o experimentar mais vezes na nossa vida.

E não é preciso ser como a outra pessoa, não é preciso fazer, estar, expressar-se como a outra pessoa, é preciso que o faça da forma como que lhe faz sentido a si, como quer para si e é o seu desejo.

Ouça a reflexão no video ou continue a ler mais abaixo.

Tudo aquilo a que se tem habituado a ser, como se tem habituado a sentir, a pensar, a expressar-se enquanto ser, tem a ver com todas as aprendizagens porque já passou, tem a ver com todo o treino que tem feito.

Porque um hábito é só isso, algo que foi feito vezes suficientes para tornar-se um hábito, automatizando-se para que não seja necessário um esforço para que assim seja.

E se gostaria de tornar habitual ou tornar automático um determinado tipo de comportamento, forma de pensar, de estar, sentir, ser… só precisa de o treinar.

E aquelas crenças que possam lá estar a estorvar de alguma forma, são apenas crenças. Crenças são pensamentos pensados muitas vezes. Só isso. Pensamentos. Nada mais do que isso.

Mas os pensamentos são aquilo que está na base de tudo, são aquilo que está na base das emoções e na base dos comportamentos.

Repare, pode estar num lugar muito agradável, rodeado de coisas bonitas com potencial para lhe trazer bem-estar e, na verdade, pode estar ali a pensar em alguma preocupação, a afligir-se com algo que pode nunca vir a ser.

Então, não é o lugar que tem influência sobre si, é o seu pensamento.

E pode estar num lugar mais cinzento que não tenha tantas coisas bonitas em volta, que seja mais despido ou neutro e pensar em algo que lhe é muito agradável e faz com que se sinta bem. Ou pensando em algo que quer fazer, que quer que aconteça e lhe traz entusiasmo e bem-estar no momento.

Então não é o lugar, uma vez mais, que tem influência sobre si, é o seu pensamento. É aquilo em que está a pensar que o faz sentir de determinada forma, então escolha aquilo em que está a pensar mais vezes de uma forma deliberada.

Porque não é pelo fato de nos afligirmos com algo que pode nunca vir a acontecer que fazemos com que aquilo não aconteça.

E pode pensar “mas preciso de prevenir-me, assim já sei com o que posso contar”. Sim ou não.

Porque na verdade não sabe se vai contar com aquilo no futuro ou não, mas uma coisa é certa: pode contar com a emoção que daí resulta durante tanto tempo quanto estiver a afligir-se com o assunto.

Se há algo que precise de fazer, um passo que precise de dar para prevenir determinada situação, pode dá-lo na mesma, não precisa de se afligir durante mais tempo.

É uma escolha sua.

E podem estar a acontecer diversas situações que podem ser desagradáveis e trazer desconforto. E fica mais fácil nos deixarmos enredar por todas essas coisas e os sentimentos, as emoções que nos proporcionam, mas não é isso que nos influencia.

Não é o lugar ou a circunstância, não são as palavras ou os comportamentos dos outros que nos influenciam, é a forma como pensamos sobre cada uma dessas coisas, a forma como interpretamos cada uma destas situações. Tem sempre tudo a ver com os nossos pensamentos.

Escolher pensamentos mais tranquilos, que tragam conforto e bem-estar, não significa estar a enterrar a sua cabeça na areia para não ver aquilo que lá está. Se os fatos não mudam só pelo fato de eu olhar para o lado, eles também não mudam por continuar a olhar para eles. Só mudam se fizer algo quanto a isso, caso esteja ao seu alcance no momento.

Quando a mudança dos fatos lá fora não está sob o seu controlo, a única diferença entre ocupar-se ou não deles na sua mente, será a forma como se vai sentir. Esta será completamente diferente.

Qual escolhe?

Se aquilo que é estridente, fala mais alto porque tem sido um hábito, é só um hábito. E um hábito é aquilo que é treinado muitas vezes.

Se nos habituarmos a ver o lado positivo das coisas, tendemos a ver mais coisas positivas ao nosso lado. Se treinamos um olhar negativo e pessimista, é aquilo de que vamos obter mais: as emoções que esse olhar nos proporciona.

Então é uma escolha nossa.
É uma escolha sua.

Só precisa de escolher e fazer esse treino.

Na minha vida, também existem dores físicas ou emocionais. Problemas? Óbvio. Pensamentos que atravessam a minha mente e que são desconfortáveis e trazem mal-estar? Sim, como a qualquer outra pessoa.

Eu também sinto estas coisas e tenho emoções que trazem desconforto, no entanto elas estão essencialmente para me comunicar algo, avisar-me de algo que eu preciso de fazer. Mais ou menos isso.

Permitem-me notar que há ali uma necessidade que precisa da minha atenção. Então posso fazer algo quanto a elas ou posso deixar-me enredar nelas. É uma escolha minha.

Podemos estar conscientes de que temos este poder de escolha e usá-lo ou entregar os pontos e sofrer.

Podemos viver de uma forma mais deliberada se escolhermos mais dos pensamentos em que queremos investir a nossa atenção, tempo, energia e espaço mental. Aqueles pensamentos que nos trazem bem-estar, que nos trazem conforto, que nos trazem um sorriso ao rosto e nos enchem o peito.

Porque não?

Eu posso estar num lugar muito agradável e relaxante, posso estar numa bela praia ou no campo, no meio do verde, das árvores, a ouvir os pássaros, deliciando-me com cada um destes detalhes, mesmo que esteja com uma dor num braço.

No momento eu posso escolher focar-me na dor (que pode até ser um desconforto ao nível dos pensamentos) e pensar:

Bolas, dói! Dói e nunca mais passa!
E já me dói há tanto tempo…
Estou aqui num lugar tão bonito… porque é que tenho que ter esta dor? Porque é que tenho de estar com ela?

E durante todo este tempo estou a dar atenção ao quê? À dor.

Ou posso estar ali naquele lugar e, apesar da dor, permitindo-me desfrutar do lugar e do momento porque dar mais atenção à dor não vai fazer com que ela desapareça. Bem pelo contrário, só vai fazer doer mais porque tem mais da nossa atenção.

Nós obtemos mais daquilo em que nos focamos.

Persistência de foco

Comprando um carro de determinada marca e determinado modelo, de súbito só vê carros desses à sua volta. Não há mais do que antes em circulação na estrada, no entanto está mais desperto para eles. Antes eram só mais um carro, agora são aquele carro.

É como uma mulher grávida que só vê grávidas em volta volta.
Assim é com tudo o resto na nossa vida.

Estamos a estudar um assunto que nos interessa e queremos saber mais, aprender mais sobre aquilo. De repente, podemos ver um programa ou um filme que fala sobre aquilo, ouvir uma conversa entre amigos ou estranhos no café que mencionam aquele tema.

Persistência de foco.

Obtemos mais daquilo em que nos focamos. Então, se colocarmos a nossa atenção na dor, ela não vai desaparecer. Só tem tendência a aumentar porque tem mais da nossa atenção sobre ela, tem mais da nossa consciência.

Mas quantas vezes já lhe aconteceu magoar-se e nem dar por isso porque estava tão distraído com alguma coisa que estava a fazer e mais tarde nem perceber onde fez aquela nódoa negra.

Estava lá o potencial para a dor e provavelmente houve alguma sensação física, mas não lhe deu atenção.

Então, apesar da dor, posso desfrutar da paisagem, do momento, da pausa, da tranquilidade, dos passarinhos a chilrearem nas copas das árvores, das árvores mais próximas. Um riacho que pode correr por perto, o som do vento nas folhas, a luz a ser filtrada pelas folhas das árvores.

Uma borboleta.
Uma cigarra.
A flor dançando ao vento.
A temperatura morna do sol na pele.
Uma brisa fresca soprando suavemente no rosto.

E desfrutando deste momento, com certeza que o braço vai doer bem menos.

Posso até nem notar o desconforto que lá estava no início, pois se tornou pano de fundo. Não noto mais.

Então experimente.
Escolha.
E treine.

Treine as vezes suficientes.

E com certeza vai sentir um maior bem-estar na sua vida, desfrutar mais da sua vida e viver mais deliberadamente porque a escolha é sua também.

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