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Quando a “morte” se apresenta no horizonte

Recentemente esteve nos cinemas o filme Perdido em Marte. Este filme traz-nos a história de um membro da tripulação de uma missão espacial a Marte que, dado como morto, foi deixado para trás numa situação de emergência.

O facto é que ele não estava morto, mas as hipóteses de sobrevivência pareciam ser nulas. Pois as reservas de oxigénio, água e mantimentos eram mínimas e a próxima missão seria dali a quatro anos. No entanto, com engenho e perseverança, ele conseguiu regressar à Terra são e salvo.

Mas antes disso, quando ele desperta, surge o problema: a morte provável no horizonte.

Ele podia aceitá-la e esperar por ela, baixando os braços e abraçando o seu destino fatal. Podia lamentar-se da situação em que se encontrava, pensando no que deixou para trás e no que ficaria por fazer. Mas também podia, como fez, pôr mãos à obra, fazendo aquilo que estava ao seu alcance, solucionando um problema de cada vez e seguindo em frente.

E o mesmo acontece nas mais diversas circunstâncias. Assim que pensa “é agora, acabou”, só precisa de começar. Começar, avançando um passo de cada vez.

De facto, podemos transportar este problema para as mais diversas áreas da nossa vida, pois é algo que sentimos muitas vezes. Sentimos que há uma “morte” possível no horizonte. Podemos aceitá-la e esperar por ela, baixar os braços e chorar. Podemos lamentar a situação pelo que é ou como foi, por aquilo que poderia ter sido, pelo que fizemos ou deixamos por fazer. Ou podemos meter mãos à obra e fazer aquilo que está ao nosso alcance, solucionando um problema de cada vez e seguindo em frente.

E assim que pensamos “é agora, acabou”, só é preciso começar.

Só que muitas vezes encaramos aquele problema num todo e aquilo é enorme. Nem imaginamos como é que poderemos sobreviver. O primeiro impulso pode ser baixar os braços e afundar na sensação de impotência perante a morte.

Esta morte pode ser, na realidade, uma ameaça à nossa integridade física, ou mesmo à integridade emocional ou social. Mas pode apenas representar a morte de um sonho ou de um objetivo.

Olhamos aquilo em toda a sua imponência e pensamos “como é possível ultrapassar aquele obstáculo imenso? não é possível!”. Não tenho, não consigo, não posso, não sei como, não tenho a passada larga o suficiente, não tenho oxigénio suficiente, não tenho energia, não tenho recursos suficientes… A queixa da vítima.

O segredo passa por desmontar em passos pequenos aquele bolo.

A receita do bolo é encontrar os ingredientes e operar um passo de cada vez. É virar o foco do problema para a solução e ir avançando. Seguir avançando em distâncias possíveis, mesmo que pareça que aquilo não vai solucionar aquilo tudo, que não vamos sequer conseguir levar o bolo ao forno.

Tudo bem! Se aceita a “morte” possível, aceita que possa não chegar a esse passo. O que importa agora é aquilo que está mais próximo, aquilo que pode fazer agora.

Muitas vezes ao dar o primeiro passo, as circunstâncias mudam. Pode surgir um novo problema ou pode verificar que o próximo problema – que antes estava lá mais à frente na ordem de prioridades, se tornou subitamente algo a resolver com urgência. Mas outros problemas podem até deixar de lá estar e solucionar-se por si mesmos à medida que vai avançando!

Se não avançar não sabe como pode resultar.

Cada primeiro passo que precise de ser dado é o mais importante de tudo, é a primeira parte da solução.

Torne cada passo no foco e o objetivo do momento.

No final deste filme, o personagem principal, já de regresso à Terra e numa aula para aspirantes a astronautas, partilha a sua experiência. Ele diz-lhes que, enquanto astronautas, irão muitas vezes encarar a morte, situações em que pensam ” é agora, o fim chegou para mim”. E refere como podem baixar os braços e aceitar a posição de vítima esperando que a morte venha ou podem fazer alguma coisa, investindo a sua energia em algo que valha a pena investir naquele momento. Resolvendo aquilo que precisa da sua atenção e ultrapassando obstáculos. E de súbito já não é a morte, tudo se resolveu.

Existem situações em que poderá não ser assim, mas pelo menos não pode dizer que não fez aquilo que estava ao seu alcance.

Nesse momento, ele refere ainda a importância de resolver um problema de cada vez, pois continuarão sempre a existir problemas e se olharmos o todo, desistimos logo à partida: “não dá, é muito, como é que vou resolver tudo aquilo?”.

Um passo de cada vez, um problema de cada vez.

Como poderá resultar para si, naquela situação que o atormenta, fazer em vez de baixar os braços? Fazer de acordo com as possibilidades no momento, dando o primeiro passo, um de cada vez e com o tamanho da sua passada?

E a cada um deles, sentindo-se melhor. Sentindo que conseguiu dar aqueles passos, resolver aqueles problemas, o que também vai ajudar na resolução dos seguintes.

Qual vai ser o seu próximo passo?

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